brazorotto

O Fórum de Telessaúde do 32º EIA questionou o empenho em fazer acontecer, de forma efetiva, procedimentos à distância, mostrando que não existe forte adesão da profissão à essa modalidade de atendimento.

A regulamentação do Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa) limita as possibilidades de atuação na área, permitindo a prestação do serviço de teleconsultoria, mas não o de teleconsulta. Ou seja, é obrigatória a presença de um fonoaudiólogo “facilitador” junto ao paciente distante, durante o procedimento.

E, mesmo na modalidade de teleconsultoria, aprovada pelo CRFa, observou-se que há certa resistência dos profissionais à adesão desse modelo de atuação, como mostrou a Profa. Joseli Brazorotto (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), ao apresentar os resultados de um estudo que buscou testar os modelos síncrono e assíncrono da teleconsultoria na área da habilitação e reabilitação auditiva, com fonoaudiólogos que atuam com crianças com deficiência auditiva. A teleconsultoria foi oferecida a 56 fonoaudiólogos de alguns municípios do Rio Grande do Norte, via chat e via e-mail. “Observaram-se efeitos positivos em ambos os modelos de teleconsultoria, especialmente após a terceira sessão, resultando na melhoria da qualidade do serviço ofertado”, relatou Joseli Brazorotto.

Todavia, essas conclusões foram obtidas a partir da análise das respostas de apenas quatro dos 56 profissionais inicialmente envolvidos, visto que os outros 52 não participaram do processo até o fim. “Temos tecnologia mais do que suficiente, há muitos anos, para se fazer procedimentos de teleaudiologia, mas, o obstáculo que vemos é a motivação, e essa é fundamental”, reagiu o coordenador do fórum, o Dr. Orozimbo Alves da Costa. Segundo ele, é paradoxal ver que jovens fonoaudiólogos não se envolvam mais com a telessaúde, já que pertencem a gerações moldadas desde cedo pelo uso da tecnologia.

Crenças errôneas poderiam ser rebatidas já na faculdade, avaliou por sua vez a coordenadora Wanderleia Blasca: “As pessoas acham que têm que ter muita tecnologia para poder implementar algo em telessaúde, e isso não é a realidade… uma proposta seria começar a pensar a incluir o tópico da telessaúde em alguma disciplina da grade, porque ela é um ponto muito importante para que possamos avançar a integração da nossa área”.

Aguardem o relato completo do Fórum Telessaúde na edição de Junho/Julho/Agosto da Audiology Infos.

Responda