Edmee Brandi

Um tributo a Edmée Brandi

Nossa querida professora Edmée Brandi teve uma formação eclética: estudou e formou-se em filosofia; foi cantora camerista com carreira internacional; criou o Grupo de Aperfeiçoamento da Expressão Oral na Universidade Federal do Rio de Janeiro e formou-se em Fonoaudiologia. Fundou o Instituto Edmée Brandi (IEB) instituição pioneira que durante anos foi formou e divulgou o estudo da voz no Rio de Janeiro e no Brasil através de cursos de especialização e de aprofundamento  na área da Voz  em parceria com a Universidade Estácio de Sá. Foi Membro Fundador da nossa saudosa Sociedade Brasileira de Laringologia e Voz, iniciando-se assim um tempo de  grandes parcerias otorrino-fono  que muito engrandeceu a Fonoaudiologia. Iria completar 100 anos em 2018, uma mulher a frente de seu tempo, com grandes idéias e realizações audaciosas.

A pesquisa sempre fez parte de sua vida e assim acabou criando as Escalas Brandi de Avliação da Voz Falada. É dela que vem também o princípio de Voz Cantada e Falada serem realidades distintas e, portanto devam ser avaliadas e tratadas diferentemente. Mas a sua mais importante pesquisa e conclusão científica foi o conceito de DISFONIAS COMPORTAMENTAIS. Este termo é o legado desta fonoaudióloga estudiosa brasileira que dedicou seus 90 anos de vida à Fonoaudiologia. É com grande alegria que vejo o conceito por ela estudado e desenvolvido ser utilizado e aceito cada vez mais pela comunidade de fonoaudiólogos. É comum hoje escutarmos em cursos e palestras pelo Brasil afora o termo disfonias comportamentais.  Lamento muito que ela não esteja aqui para vibrar com sua conquista, ver seu trabalho de uma vida aprovado e  apoiado por seus pares. Seria muito bom que ela estivesse presente para nos alimentar com seu saber e que ela mesma pudesse nos oferecer agradáveis discussões e aprendizagens sobre o tema. Mas fica o seu  grande legado escrito para que possamos consultar e aprender. Escreveu diversos livros que até hoje são utilizados por fonoaudiólogos em sua formação e clínica.

Abaixo tentei relacionar os livros onde está conceituado o termo Disfonia Comportamental assim como Brandi  o criou .

 Em seu 1º. Livro: VOZ FALADA – ESTUDO. AVALIAÇÃO. TRATAMENTO, de 1990, Editora Atheneu (esgotado), pode-se verificar na página 112 que já há a nova classificação das disfonias comportamentais e seu conceito. Nas páginas subsequentes ela discorre amplamente sobre o conceito de disfonias comportamentais.

Discutiu de forma brilhante a diferença entre disfonias funcionais e comportamentais, demonstrando que elas não tem a mesma natureza, pois não partem do mesmo princípio em seu livro DISFONIA: AVALIAR PARA MELHOR TRATAR, 1996, Editora Atheneu, escrito com base em sua tese de doutorado, capítulos 4 e 5.

No livro de 2006, VOCÊ E EU, ENTRE NÓS A VOZ, Editora Revinter, página 13 o conceito de disfonias comportamentais é ampliado e aprofundado e a classificação revista e simplificada (páginas 13-26).

DISFONIA COMPORTAMENTAL, A VIDA NA VOZ, de 2008, Editora Velejar em parceria com Cal Coimbra é totalmente dedicado ao conceito das disfonias comportamentais. Obra Prima! No capítulo 4, a partir da página 63, discute a posição de autores e pesquisas atuais nacionais e internacionais que corroboram sua tese; conceitua conduta vocal desviada, conduta vocal hiperfuncional e hipofuncional além de falar sobre o papel do estresse e dos aspectos psicossomáticos na disfonia comportamental.

Fica aqui minha homenagem a EDMÉE BRANDI, GRANDE FONOAUDIÓLOGA BRASILEIRA criadora do conceito de DISFONIAS COMPORTAMENTAIS que já tem reconhecimento nacional e desejo que alcance o internacional! Só tenho a agradecer ter sido sua aluna durante 18 anos. Se sou hoje o que sou é por que um dia ela esteve muito junto a mim. Obrigada, minha eterna mestra!

 

Angela  A.  Garcia
Prof. Associado curso de Fonoaudiologia/FM/UFRJ
Fonoaudióloga CRFa. 5392/RJ
Doutora em Fonoaudiologia/UMSA
Especialista em Voz/CFFa
Conselheira Efetiva CFFa

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