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Segundo dados do INSS, só em 2016 mais de 75 mil pessoas foram afastadas do trabalho por depressão. Não apenas pelos números alarmantes, mas pela gravidade do tema, a depressão, ansiedade e, inclusive, suicídio, chamam a atenção para a questão da saúde mental. E esse foi um dos temas debatidos na 98ª Reunião da Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador e Trabalhadora (CISTT) do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que acontece dias 22 e 23 de maio, em Brasília (DF).

Quem coordenou o debate foi a representante do Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa) no CNS, e coordenadora adjunta da CISTT Nacional, a fonoaudióloga Denise Torreão. A primeira apresentação foi do médico e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Francisco Antônio de Castro Lacaz, que apresentou dados alarmantes sobre o tema, além de colocar em debate, por exemplo, a questão da subnotificação dos transtornos mentais.

Entre os números apresentados pelo professor, entre 2009 e 2015, 97 mil pessoas aposentaram por invalidez devidos a transtornos mentais, com destaque para depressão, distúrbios de ansiedade e estresse pós-traumático, isso representa uma conta de R$113,3 milhões anuais aos cofres públicos.

Para Lacaz, faz-se necessário conscientizar as pessoas sobre o assunto, pois o trabalhador passa muito tempo de sua vida no ambiente de trabalho. “Nos casos de acidentes físicos, é fácil e visível de identificar, mas e nos casos das doenças invisíveis, patológicas?”, indaga   Lacaz, que já foi integrante da CISTT em gestões anteriores.

“Onde há pouco apoio social, alto nível de cobrança, baixo controle sobre tarefas, recompensas insuficientes acompanhadas de ameaças de demissão e violência, há frequentes afastamentos por transtornos mentais”, afirma.

Também debateu o tema a representante do Conselho Federal de Psicologia na CISTT Nacional, Lourdes Aparecida Machado. A grande questão levantada em sua abordagem foi a patologização da vida. Segundo ela, essa discussão precisa ser levada para além do indivíduo, pois isso acontece quando as condições de trabalho amortecem o objetivo de vida das pessoas.

“Considero o conselho um espaço importantíssimo para a construção de políticas públicas, atrelado a isso, essa discussão se faz necessária para além de nossos espaços e grupos de interação. Deixo aqui uma reflexão: os transtornos mentais, depressão, ansiedade, e assédios são um mal silencioso ou um mal silenciado pela sociedade e pelas instituições?”, provocou a psicóloga.

Na análise da fonoaudióloga Denise Torreão, dada a importância da temática, o debate precisa ser debatido por todas as categorias de saúde.

Ainda em pauta na 98ª CISTT para o debate de hoje estão os Agrotóxicos, as Oficinas de Formação para o Controle Social em Saúde do Trabalhador, a Câmara Técnica da CISTT Nacional e o calendário de reuniões de 2018.

Fonte: Ascom / CFFa
Redação: Suzana Campos

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