Post 22 - Revista 77

Raíza Rocha – repórter
O cavalo como agente promotor de ganhos físicos, psicológico, social e educacional em pessoas com deficiências, necessidades especiais e/ou com alguma dificuldade de aprendizagem é o modelo terapêutico desenvolvido pela Equoterapia, presente há quase três décadas no Brasil. Com uma abordagem interdisciplinar, envolvendo as áreas da saúde, educação e equitação, a equoterapia busca a reabilitação física e/ou mental, bem como à integração ou reintegração sócio-familiar.
De acordo com a Associação Nacional de Equoterapia (ANDE-Brasil), entidade civil sem fins lucrativos, referência em ensino, pesquisa, desenvolvimento e aplicação das atividades de Equoterapia no Brasil e no exterior, existem atualmente cerca de 280 centros que promovem a terapia com cavalo espalhados pelo país. A prática é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina desde 1997, pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional em 2008 e, em 2013, foi incorporada à lista de Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) pelo Ministério do Trabalho. A produção científica sobre o tema está em crescimento, com a realização de dezesseis Congressos Internacionais e oito nacionais.
Atualmente, tramita no Senado Federal o Substitutivo da Câmara dos Deputados n° 13, de 2015, ao PLS nº 264, de 2010, que dispõe sobre a prática. O substituto estabelece, entre outras questões, a presença do fonoaudiólogo como parte importante da equipe multidisciplinar que atua na equoterapia.
Para a Fonoaudióloga Claudia da Costa Mota (CRFa 2 – 8186), fundadora do Instituto Passo a Passo e criadora do Programa de Atendimento Equoterápico nos Distúrbios de Aprendizagem (PAEDA), o Substitutivo, apesar de incompleto ao restringir o modelo terapêutico às pessoas com deficiência, traz de positivo o reconhecimento do fonoaudiólogo como profissional habilitado para compor a equipe de reabilitação. “Praticamente quase todas as patologias interferem no processo de comunicação do ser humano e, nesse sentido, é preciso trabalhar de alguma forma ou em algum grau a comunicação humana”, argumenta Claudia Mota que, dos 23 anos de formada em Fonoaudiologia, há 17 anos trabalha com Equoterapia.
Contribuições da Fonoaudiologia
De acordo com Claudia Mota, o papel do fonoaudiólogo na Equoterapia não é fazer fonoterapia sobre o cavalo, mas sim fazer equoterapia utilizando os conhecimentos e os fundamentos técnico-científicos da Fonoaudiologia. “O fonoaudiólogo pode ter um papel muito abrangente, a depender do seu perfil profissional. Ele avalia tanto a questão de aprendizagem, linguagem oral e escrita, quanto os aspectos da motricidade oral e suas funções, como sucção, respiração e deglutição e trabalha estratégias específicas na equoterapia para o desenvolvimento de habilidades cognitivas e de consciência fonológica que estão na base do processo de aprendizagem”, afirma.
Diferencial e benefícios da Equoterapia
Formação e fortalecimento de vínculos; autoestima; controle cervical; controle e rotação de tronco; equilíbrio do sistema vestibular; melhor percepção visual, sensorial e auditiva; organização espaço-temporal; aumento do vocabulário; adequação da linguagem e aumento do repertório linguístico, além da melhora na motricidade orofacial com relação à musculatura dos órgãos fonoarticulatórios e suas funções, como respiração, sucção, mastigação, deglutição e fala são alguns dos benefícios promovidos pela terapia com cavalo destacados pela Fonoaudióloga.
Como qualquer método terapêutico, a equoterapia possui limitações que devem ser analisadas a partir das necessidades do praticante, cabendo, se necessário, realizar outros tratamentos clínicos. Para Claudia Mota, no entanto, o diferencial desse modelo terapêutico está no movimento. “É sabido que as crianças aprendem a partir do seu próprio corpo, a partir do movimento que ela coloca no mundo. Ela estrutura o movimento, e a partir daí o sentimento e o pensamento. E o cavalo resgata esse movimento global e evolutivo do ser humano. A biomecânica do cavalo favorece o trabalho psicomotor”, argumenta.

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