Post 24 - Revista 77

Cibele Avendano e Gheysa Padilha – repórteres
O número de crianças com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) vem disparando no Brasil. Segundo dados do CDC (Center of Deseases Control and Prevention), órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, existe hoje um caso a cada 59 pessoas. Dessa forma, estima-se que o Brasil, com seus 213 milhões de habitantes, possua cerca de 3 milhões de pessoas com TEA.
Contudo, apesar de numerosos, os milhões de brasileiros autistas ainda sofrem com a falta de informação sobre o transtorno e muitas vezes não sabem nem como procurar um tratamento adequado, nem que o fonoaudiólogo é o profissional capacitado para direcionar um tratamento, com sessões estruturadas.
Especialista em psicomotricidade, estimuladora precoce e psicopedagoga, a fonoaudióloga Márcia Maria Loss de Carvalho, (CRFa 3-4014) há mais de 30 anos se dedica a pacientes com Transtorno do Espectro Autista. Para ela, a grande luta profissional é fazer com que os pediatras encaminhem precocemente as crianças para uma avaliação fonoaudiológica.
“É comum os pais perceberem alterações no desenvolvimento de seus filhos antes dos 24 meses, muitas vezes demoram em procurar por ajuda especializada, por isso, os profissionais da educação e da saúde têm um papel fundamental na identificação inicial dos sinais e sintomas de risco para o TEA”, comenta a fonoaudióloga.
De acordo com a profissional, já durante o primeiro ano de vida de uma criança, antes mesmo do surgimento da fala, os pais devem ficar atentos aos comportamentos comunicativos, aqueles que garantem a interação entre a criança e os adultos. Esses comportamentos são considerados precursores da linguagem e sinais de habilidades funcionais para compartilhar a atenção e reconhecer a outra pessoa como um ouvinte.
“Vários estudos demonstram que a identificação precoce dos sinais e sintomas de risco para o desenvolvimento do TEA é fundamental pois, quanto antes o tratamento for iniciado, melhores são os resultados em termos de desenvolvimento cognitivo, linguagem e habilidades sociais”, explica Márcia. Durante o tratamento com os seus pacientes, ela utiliza de jogos de atenção e concentração, casinhas de boneca, carrinhos, animais. Tudo muito lúdico, já que os pacientes têm idade a partir de um ano e meio.

Falta de Investimentos em Políticas Públicas pode atrasar tratamentos

Se a dificuldade em identificar os sinais de TEA ainda é um obstáculo a ser ultrapassado, criar políticas públicas tem sido ainda mais difícil. Mesmo com o número acentuado de crianças diagnosticadas com o Espectro, a maior parte das famílias precisa recorrer à justiça para pleitear, através de liminares, o custeio do tratamento pelo Estado ou planos de saúde.
A Presidente do Crefono 7, Luciana Kael (CRFa 7-6174) não tem dúvidas de que muitas crianças estão sendo beneficiadas com liminares e atendimentos de excelência, que muitas vezes permeiam métodos comprovadamente eficazes através de evidências cientificas, mas teme que num futuro próximo essa demanda não poderá ser suprida através de casos específicos. “É necessário lutar pela criação de políticas públicas e uma visão mais ampla onde existam locais adequados para uma abordagem apropriada para esta população, com a inserção de mais fonoaudiólogos, além da interação com as demais áreas que fazem parte da equipe multidisciplinar”, destaca a profissional.

 

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