RESOLUÇÃO
CFFa Nº 835, DE 20 DE JUNHO DE 2026
Dispõe sobre a regulamentação da atuação do fonoaudiólogo na área de Estética
Orofacial.
O CONSELHO
FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA, no uso das atribuições legais e regimentais que lhe
são conferidas pela Lei nº 6.965, de 9 de dezembro de 1981, regulamentada pelo
Decreto nº 87.218, de 31 de maio de 1982, cumprindo o deliberado
pelo Plenário do Conselho Federal de Fonoaudiologia, durante a 208ª
Sessão Plenária Ordinária, realizada no dia 20 de junho de 2026,
RESOLVE:
Art. 1º Esta resolução regulamenta a atuação do fonoaudiólogo na
área de Estética Orofacial, compreendendo as intervenções na região orofacial e
cervical que visam à melhoria da estética, harmonização orofacial, equilíbrio miofuncional orofacial e reeducação das funções orofaciais.
Parágrafo
único. Define-se harmonização orofacial na Fonoaudiologia, como o conjunto de
procedimentos, baseados na avaliação e intervenção fonoaudiológicas, voltados
ao equilíbrio miofuncional, à simetria, à
expressividade facial, à adequação das funções orofaciais e à harmonia estética
e funcional das regiões orofacial e cervical.
Art. 2º São
competências do fonoaudiólogo na área de Estética Orofacial, observados os
limites éticos e legais da profissão:
I - Realizar
consulta e anamnese fonoaudiológica detalhadas, com foco nas queixas estéticas
e funcionais da região orofacial;
II - Efetuar
avaliação miofuncional orofacial, identificando
disfunções e desequilíbrios musculares;
III -
Solicitar e interpretar exames complementares pertinentes à área de atuação,
quando necessário;
IV -
Desenvolver e implementar planos de prevenção de riscos e intercorrências
relacionados aos procedimentos estéticos faciais fonoaudiológicos;
V - Realizar
terapia fonoaudiológica para fins estéticos;
VI - Indicar
dispositivos para harmonização orofacial e reeducação muscular;
VII -
Utilizar recursos terapêuticos, tecnológicos e procedimentos para fins
estéticos, desde que fundamentados em avaliação individualizada, evidências
científicas disponíveis, segurança do paciente, conforme formação e habilitação
específicas;
VIII -
Utilizar, orientar ou recomendar recursos complementares, de uso tópico ou de
livre acesso, quando compatíveis com a atuação fonoaudiológica em Estética
Orofacial, desde que fundamentados em avaliação individualizada, evidências
científicas disponíveis, segurança do paciente, conforme formação específica;
IX - Realizar
drenagem linfática na região orofacial e cervical, para fins estéticos,
conforme formação e habilitação específica;
X - Orientar
sobre o posicionamento orofacial adequado e hábitos miofuncionais
para otimização dos resultados estéticos e funcionais;
XI - Atuar na
recuperação tegumentar orofacial e cervical, incluindo o manejo de cicatrizes e
flacidez, com foco na funcionalidade;
XII - Prestar
atenção fonoaudiológica pré e pós-cirurgias
orofaciais, visando à reabilitação funcional e estética da região;
XIII -
Realizar orientação e educação em saúde para o paciente, a família e seus cuidadores, promovendo a adesão ao
tratamento e a manutenção dos resultados;
XIV -
Realizar encaminhamento para outros profissionais de saúde quando a condição do
paciente exigir intervenção multidisciplinar ou atenção especializada;
XV -
Participar de equipes multiprofissionais, contribuindo com a expertise
fonoaudiológica na área de Estética.
Parágrafo
único. Quando identificada a necessidade de recursos que extrapolem o escopo da
atuação fonoaudiológica, o profissional deverá realizar orientação ou
encaminhamento a profissional legalmente habilitado, preservando a atuação
interdisciplinar e a segurança do paciente.
Art. 3º Constituem atos privativos do fonoaudiólogo,
respeitadas as competências das demais profissões:
I - Avaliação da motricidade orofacial, incluindo as
funções orofaciais de respiração, sucção, mastigação, deglutição e fala;
II - Diagnóstico e prognóstico fonoaudiológico em
motricidade orofacial;
III - Planejamento terapêutico fonoaudiológico
individualizado;
IV - Habilitação e reabilitação das estruturas e
funções orofaciais de respiração, sucção, mastigação, deglutição e fala;
V - Emitir laudos, pareceres e relatórios
fonoaudiológicos.
Art. 4º Para
a atuação em Estética Orofacial, o fonoaudiólogo deverá possuir conhecimentos
aprofundados em:
I - Anatomia,
fisiologia e fisiopatologia da região orofacial e cervical;
II -
Cosmetologia facial, incluindo a composição e ação de cosméticos tópicos;
III -
Procedimentos estéticos;
IV -
Biossegurança e controle de infecção em ambientes de saúde;
V -
Intercorrências relacionadas aos procedimentos estéticos;
VI - Ética e
legislação profissional.
Art. 5º As
áreas de atuação do fonoaudiólogo em Estética Orofacial incluem, mas não se
limitam a:
I -
Motricidade orofacial com foco na estética;
II - Estética
Orofacial Pré e Pós-operatória;
III -
Dermatologia Orofacial, com foco nas disfunções funcionais que impactam a
estética;
IV -
Cosmetologia Facial, com foco na indicação e orientação de produtos tópicos
para a manutenção da saúde e estética funcional;
V -
Intervenção fonoaudiológica em queimados;
VI - Trauma
de face.
Art. 6º Além
das competências assistenciais, o fonoaudiólogo em Estética Orofacial poderá
exercer as seguintes atribuições:
I -
Coordenação de serviços de Estética Facial;
II -
Supervisão e auditoria de práticas de Estética Facial fonoaudiológicas;
III -
Consultoria e assessoria técnica em projetos e estabelecimentos da área no
âmbito da sua competência;
IV - Docência
e pesquisa em Estética Orofacial fonoaudiológica, contribuindo para o avanço do
conhecimento científico.
Art. 7º O
fonoaudiólogo para atuar em estética deverá ter conhecimento e domínio de
suporte básico de vida, com comprovação.
Art.
8º
O fonoaudiólogo deverá implementar e seguir rigorosamente medidas de biossegurança e controle de infecção conforme as normas sanitárias vigentes.
Art.
9º
O fonoaudiólogo deverá elaborar e executar
protocolos de identificação e manejo de intercorrências.
Art. 10. O
fonoaudiólogo deverá registrar em prontuário todas as informações pertinentes
ao atendimento, incluindo avaliação, diagnóstico, plano terapêutico, evolução e
alta.
Art. 11. O fonoaudiólogo deverá obter o Termo
de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE que deverá ser apresentado
em linguagem clara e acessível ao paciente ou responsável legal, sendo
obrigatória sua assinatura e arquivamento no prontuário.
Art. 12. É
vedado ao fonoaudiólogo na área de Estética Orofacial realizar procedimentos
cirúrgicos e considerados invasivos, conforme a Lei Federal Nº 12.842/2013.
Art. 13. O
fonoaudiólogo em sua atuação em Estética Orofacial está sujeito à
responsabilidade legal em casos de imperícia, negligência e imprudência.
Art. 14. Os
casos omissos serão resolvidos pelo Plenário do Conselho Federal de
Fonoaudiologia - CFFa.
Art. 15. Esta
Resolução entra em vigor na data de sua
publicação no Diário Oficial da União – DOU.
Silvia
Tavares de Oliveira
Presidente
Silvia
Maria Ramos
Diretora
Secretária
Publicado
no DOU do dia 03/07/2026